As Amazônias são territórios vivos, onde natureza e modos de vida se entrelaçam. Com esse olhar, nasce a Rota 26–30: um espaço que organiza conhecimento e experiência, conecta visões diversas e transforma inteligência coletiva em ações concretas e viáveis.
Seu objetivo é identificar prioridades e consolidar propostas para orientar decisões dos setores público e privado nos próximos anos.

CONHEÇA OS GRANDES DEBATES PARA PENSAR, CONSTRUIR E CUIDAR DAS AMAZÔNIAS

Florestas

Restauração

“A restauração começa com uma retomada. Em um solo degradado, uma espécie pioneira nasce e atrai outras vidas. Pássaros, insetos e animais trazem novas sementes, e o que era chão exposto torna-se novamente floresta. O primeiro passo exige coragem — mas é ele que torna possível o retorno do coletivo.” (Hadna Abreu, 2026)

As florestas das Amazônias são muito mais do que paisagens naturais: sustentam a vida, a economia e o futuro do Brasil. Delas dependem o regime de chuvas, a produção de alimentos, a geração de energia, a estabilidade climática e o bem-estar de milhões de pessoas. Valorizar as florestas é, portanto, uma agenda estratégica para o desenvolvimento nacional.

Nesse contexto, a abordagem do contínuo florestal propõe uma visão integrada. Em vez de opor proteção e produção, demonstra que ambas podem coexistir de forma responsável. Conservação, restauração e silvicultura são dimensões complementares de um mesmo mosaico territorial, capaz de gerar valor ambiental, social e econômico.

Cada Amazônia possui realidades, desafios e vocações próprias. Por isso, iniciativas voltadas à ampliação da cobertura florestal — por meio de estratégias de conservação, restauração ou manejo produtivo — devem ser desenhadas de modo a maximizar co-benefícios para os amazônidas, para o país e para o clima global.

Grande parte das áreas com potencial para cumprir metas nacionais de restauração está nas Amazônias, que também apresentam indicadores sociais inferiores à média brasileira. Isso cria uma oportunidade estratégica para expandir a restauração — com espécies nativas e exóticas, SAFs e outras abordagens — em áreas públicas, Unidades de Conservação, Terras Indígenas, assentamentos, territórios tradicionais e pequenas e médias propriedades. Além de contribuir para a mitigação climática e a recuperação ambiental, essas iniciativas podem gerar emprego, renda e fortalecer economias territoriais.

Persistem, contudo, barreiras à chegada de recursos aos territórios, como entraves fundiários, governança fragmentada entre ministérios, interpretações limitadas sobre o potencial da restauração, ausência de mecanismos financeiros inovadores, mercado de carbono ainda incipiente e baixa integração entre ciência, tecnologia e cadeias produtivas.

Ao reconhecer a floresta como ativo econômico e financeiro, sem dissociá-la de seus valores ecológicos, culturais e sociais, Amazônia e Brasil podem estruturar uma nova lógica de desenvolvimento, mobilizar investimentos e consolidar liderança global em economia de base florestal.

Combate ao Desmatamento

“Esta aquarela traz um apanhado de acontecimentos que ao longo das décadas vêm se debruçando sobre o corpo da floresta, negócios que não só derrubam árvores e recortam os tapetes verdes, que sobrevoam aviões, satélites e drones. Não só violentam as senhoras, detentoras da sabedoria ancestral, nossas árvores, mas também violentam os avós que são os rios, e nisso, todos os outros seus habitantes. Entre indígenas, ribeirinhos, macacos, pássaros, cobras e fungos, se desligam os fios que se conectam e que abastecem a terra e suas raízes. As Amazônias são muitas, e os impactos também. Há um clima que sinaliza esses movimentos, mas há também quem lute contra essas estruturas destrutivas. Há quem freie ainda algumas dessas ações que perfuram o solo, o rio, o corpo da floresta. Mas até quando? Um dia o petróleo não será o suficiente, e as águas não terão força para produzir energia. Que resposta daremos ao futuro, que soluções temos para que o hoje não esgote o amanhã?” (Hadna Abreu, 2026)

O combate ao desmatamento está diretamente relacionado à segurança climática, à produção de alimentos, à disponibilidade de água, à geração de energia e à estabilidade econômica. A perda de florestas compromete os ciclos naturais que sustentam a vida e as atividades produtivas, ampliando vulnerabilidades sociais e reduzindo a capacidade de adaptação dos territórios.
O Brasil já demonstrou que é possível reduzir o desmatamento de forma significativa por meio da combinação entre fiscalização, inteligência territorial, áreas protegidas e mecanismos econômicos. Ao mesmo tempo, os desafios atuais são mais complexos. Persistem incentivos associados à conversão florestal, fragilidades na governança territorial, ilegalidades ambientais e desalinhamentos entre políticas ambientais, fundiárias e produtivas.

Os próximos anos serão decisivos para manter a trajetória de redução do desmatamento.Este debate busca identificar ações prioritárias para transformar o combate ao desmatamento em uma política de Estado duradoura, articulando governança territorial, incentivos econômicos, engajamento do setor privado e fortalecimento de atividades produtivas sustentáveis nas Amazônias.

QUAL A SUA PROPOSTA PARA FLORESTAS?
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SEGURANÇA ENERGÉTICA

“A floresta aparece como um território de ideias e reflexões sobre a segurança energética. As águas que correm pela floresta trazem, em sua paisagem, e revelam lâmpadas cristalinas que surgem entre a vegetação como símbolo de pesquisa, inovação e novas possibilidades. Isso evoca tecnologias que investigam a geração de energia a partir da biomassa, como o aproveitamento do caroço do açaí ou a transformação de resíduos urbanos em energia. Essa aquarela nos propõe imaginar soluções que nascem da própria floresta e que possam beneficiar tanto as cidades quanto os povos indígenas e ribeirinhos que também habitam esse território. Essas populações são representadas na imagem, demonstrando que é necessário compartilhar e contar com a participação ativa desses povos. Assim, conseguimos fazer uma corrente energética de ciência, natureza e saberes ancestrais, que encontram, na busca por esses caminhos, mais equilíbrio e um futuro mais sustentável para a nossa Amazônia.” (Hadna Abreu, 2026)

A segurança energética envolve assegurar oferta contínua de energia a preços acessíveis, com responsabilidade ambiental e viabilidade econômica. No Brasil, esse desafio é marcado por contrastes: uma eletricidade predominantemente renovável convive com forte dependência de petróleo e derivados nos transportes e na indústria.

A Amazônia é parte importante dessa equação. Contribui com mais de um quarto da eletricidade nacional e detém minerais críticos e estratégicos relacionados ao processo de expansão das energias renováveis (cobre, níquel), eletrificação do transporte (terras raras) e descarbonização (ferro e bauxita). No entanto, permanecem como a região com menor acesso à energia elétrica e com elevada dependência de sistemas isolados movidos a diesel.

Esse paradoxo expõe desigualdades históricas e incertezas sobre o papel da região na segurança energética nacional. A expansão de atividades energéticas levanta questões urgentes sobre limites territoriais, salvaguardas ambientais, participação social e distribuição justa de benefícios.

Este debate propõe identificar ações prioritárias para o uso do potencial energético amazônico. Para isso, busca-se identificar instrumentos e arranjos institucionais que reduzam riscos, ampliem transparência e participação social e garantam acesso local à energia limpa e segura.

QUAL A SUA PROPOSTA PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA?
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SANEAMENTO URBANO

As Amazônias vivem uma combinação crítica de rápida urbanização, desigualdade socioespacial e intensificação de cheias, inundações e calor extremo . Entre 2000 e 2022, quase cinco mil eventos climáticos extremos foram registrados na região. Inundações, secas e ondas de calor afetam milhões de pessoas e pressionam sistemas urbanos já fragilizados.

Com 28 milhões de habitantes e crescimento populacional acima da média nacional, as cidades amazônicas enfrentam déficits históricos de infraestrutura. A expansão desordenada, a ocupação de áreas vulneráveis e a precariedade da drenagem ampliam riscos à saúde pública, à economia e à biodiversidade.

Universalizar o saneamento básico é uma das estratégias mais eficazes de adaptação urbana. Água potável, coleta e tratamento de esgoto, manejo de resíduos e drenagem pluvial reduzem doenças, mitigam impactos climáticos e fortalecem a resiliência das cidades.

Embora o Marco Legal estabeleça metas ambiciosas para 2033, a infraestrutura de saneamento nas cidades amazônicas apresenta os piores índices de atendimento do Brasil. Superar essa lacuna, que cresce com a urbanização acelerada e desordenada do território, exige coordenação entre municípios, estados e setor privado, inovação financeira e tecnologias adequadas às tipologias municipais.

Este debate busca identificar ações prioritárias e instrumentos capazes de acelerar a implementação do saneamento nas cidades amazônicas, com foco em áreas periféricas e territórios ambientalmente sensíveis.

QUAL A SUA PROPOSTA PARA MELHORAR O SANEAMENTO URBANO?
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COMIDA

Garantir o acesso a alimentos seguros, nutritivos, sustentáveis e culturalmente adequados é um direito constitucional e um dos grandes desafios sociais do Brasil. Mesmo com avanços recentes, milhões de pessoas ainda enfrentam insegurança alimentar e nutricional. Nas Amazônias, esse cenário se intensifica: a região concentra uma das maiores biodiversidades do planeta e, ao mesmo tempo, apresenta alguns dos piores indicadores de acesso à alimentação no país.

Esse paradoxo revela que a insegurança alimentar e nutricional na região não se explica apenas pela renda, mas por fatores territoriais, ambientais, logísticos e políticos. Eventos climáticos extremos, como secas e cheias, afetam a produção e a distribuição de alimentos. A dependência de cadeias longas de abastecimento encarece os produtos e limita sua disponibilidade, enquanto a expansão de ultraprocessados substitui rapidamente dietas tradicionais, com impactos crescentes na saúde pública.

Ampliar o acesso à alimentação adequada nas Amazônias exige olhar para todo o sistema alimentar: produção, distribuição e consumo. Isso inclui fortalecer cadeias locais, valorizar ingredientes regionais, garantir preços acessíveis e promover práticas que respeitem os modos de vida tradicionais e os ecossistemas.

Este debate busca identificar ações prioritárias e instrumentos capazes de ampliar o acesso a alimentos diversos e nutritivos , de forma regular, com preço acessível e compatível com a cultura amazônica, contribuindo para a segurança alimentar e nutricional, a redução das desigualdades e a melhoria da qualidade de vida no Brasil.

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biodiversidade

A biodiversidade das Amazônias constitui um dos maiores patrimônios naturais do planeta e desempenha papel central na estabilidade climática, na segurança hídrica, na alimentação e na saúde humana. Mais do que um recurso a ser conservado e melhor conhecido, trata-se de uma infraestrutura ecológica essencial e de um ativo econômico para o desenvolvimento do Brasil.

A grande diversidade biológica e genética da biodiversidade amazônica é portadora de um grande potencial para a produção de alimentos, medicamentos, biotecnologias e novos materiais. Esse patrimônio que também sustenta economias baseadas na natureza e pode impulsionar inovação, geração de renda e desenvolvimento territorial.

Apesar desse potencial, ainda há uma lacuna entre a riqueza da biodiversidade e sua transformação em valor econômico e social. O Brasil tem participação reduzida em mercados globais como o de fitoterápicos, evidenciando desafios relacionados à pesquisa, inovação, regulação e articulação entre ciência, empresas e comunidades.

Ao mesmo tempo, a biodiversidade enfrenta pressões crescentes, como desmatamento, degradação ambiental e mudanças no uso do solo, que comprometem a integridade dos ecossistemas e os serviços que sustentam a vida e a economia.

Este eixo busca identificar caminhos para integrar a biodiversidade à agenda de desenvolvimento das Amazônias, articulando conservação, conhecimento e uso sustentável. O objetivo é orientar ações e instrumentos capazes de transformar esse patrimônio em base para uma nova economia, fortalecendo a ciência, a inovação e a geração de valor para os territórios e suas populações.

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Obras de Arte: Hadna Abreu

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